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Cartografia de um Segredo Ancestral

Epifanias de uma brasileira em Portugal

Em Cartografia de um Segredo Ancestral combino humor, pesquisa histórica e humanidade, e convido o leitor a confiar nos descaminhos e a descobrir que as memórias mais resistentes sobrevivem nos gestos, nos afetos e na coragem de ser quem se é.

Mapa fotografado na exposição “Judeus de Coimbra: Da Tolerância à Perseguição; Memórias e Materialidades”, museu do Pátio da Inquisição.

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Sinopse

Em Cartografia de um Segredo Ancestral, percorro as paisagens de Portugal em uma busca que ultrapassa os limites da pesquisa histórica. Enquanto investigo o silenciamento de minha ancestral Leonor, capturada pelo Santo Ofício no século XVIII, reconstruo caminhos e vivencio o "avesso luminoso" da tragédia familiar por meio de epifanias cotidianas.

Me autodenomino uma "bêbada do Iluminismo", viajando mais como peregrina atrapalhada do que como estudiosa organizada. Munida de ousadia e guiada por um mapa interno, eu atravesso Portugal aberta ao desconhecido e às ironias da vida. Compartilho desde a travessia mágica por uma trilha de pastores rumo a Monsanto até a compreensão de que as máquinas do futuro ainda exigem a alma e o segredo manual de um ourives para serem decifradas.

O livro tece uma artesania da memória e está estruturado em cinco movimentos: Portais, Ofícios, Sinais, Mergulho e Encontro. Nas ladeiras de Lisboa, o trabalho de um sapateiro de Ferraris honra a tradição; na Biblioteca de Aveiro, o perfume de flores do campo e um som misterioso oferecem o refúgio necessário contra a tempestade e o isolamento; e no Pátio da Inquisição, em Coimbra, mergulho nas sombras do passado para emergir com as respostas transformadoras da arte.

A jornada culmina em um singelo ritual em Penamacor, onde meu irmão e eu celebramos a sobrevivência de nossa linhagem, oferecendo vinho à terra e transformando o exílio secular em um profundo sentimento de pertencimento. 

Nós, pedras…

Quando alguém nos ergue,

ergue tempos primevos …

ergue o Jardim do Éden…

ergue biliões de lembranças na mão

que não se dissolvem no sangue…​

Poema “Coro das Pedras”, de Nelly Sachs,
tradução de Paulo Quintela

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